Monday, December 07, 2009

Duo Lachrimae em lançamento de livro sobre Noel Rosa

Thursday, November 19, 2009

Duo Lovelock-Santos em Sta Tereza

Farei um recital com meu duo de flauta e violão, Duo Lovelock-Santos, próximo sábado, com o flautista britânico Michael Lovelock. Abaixo detalhes. Aguardo todos lá.



Saturday, November 07, 2009

This is it, This is Michael Jackson !

Decidi assistir o doc. sobre This is it sobre os bastidores dos últimos ensaios de Michael Jackson meio ressabiado. Imaginei que encontraria uma exploração nua e crua daquilo que numa via mão dupla se tornou a vida de astro americano nos últimos anos: promoção e exploração comercial e especulações que misturam fetiche, fantasia e irealidade sobre sua vida.
J' avais tort! "This ist it" de alguma maneira reabilita o M.J. artista de múltiplos talentos. Não há especulação sobre sua vida, nem sobre suas manias, hábitos e possíveis esquisitices tão ao gosto do jornalismo barato mundo afora. Lá está o Michael inteiro, ciente de cada pequeno detalhe, não apenas um astro moldado para cameras e holofotes.



Michael sabe sobre cada nota, cada passo, cada gesto seu e do imenso e super preparado corpo de artistas, coisa que de início o difere fundamentalmente da leva de alienados do mundo pop cujo único talento é encher os bolsos de milhões de doláres, sorrir para câmeras e cantar sofrivelmente, tendo sua afinação corrigado pelos "Pro tools" da vida. Se há um algum trabalho musical nos discos da imensa maioria dos astros pops, esse se deve aos produtores, arranjadores e músicos que não aparecem além da nota de rodapé.

Mais do que o maior êxito da história da indústria cultural, M.J é certamente o maior símbolo da cultura de massa da segunda metade do século XX. Fruto de um talento natural pouco comum, Michael Jackson alinhou não só uma voz que sem nenhum preparo técnico anterior, mantinha uma clareza e um beleza timbrística fora do padrão, a uma criatividade que potencializavam suas aptidões naturais. Repare no video (na verdade na canção) como Michael faz um uso plástico das vozes não só com fins puramente melódicos, mas criando uma sensação de poliritmia vocal, gerando uma textura rica, junto aos instrumentos, como a linha de metais, e uso da percussão:





Dentro dos parâmetros que a própria forma e a veiculação comercial exige, Michael explorava ao máximo a potencialidade de seu universo musical. Uso da palavra ( do texto), neste exemplo acima, serve de reforço a essa consciência que passa logicamente pela mão do produtor Quincy Jones mas cujo talento de Jackson está estampado inclusive na maneira como ele articula o texto, acentuando a sonoridade das síbalas que servem mais como efeito ritmico do que propriamente semântico.

Michael criança explorou de maneira feliz (e foi explorado, evidentemente) a beleza de sua voz aguda e potente, cuja homegenidade timbristica não se alterava em função de notas mais ou menos agudas, traduzindo, ele não gritava para atingir notas muitos altas como é comum a cantores populares que não tem preparo técnico ( e até aqueles que tem, por vezes), claro quando o grito não é uma opção estética, absolutamente legitima em certos casos. basta lembrar o Au!, mais uma marca registrada de M.J. , entre tantas outras.





Para analisar o legado de Michael não se pode fazer uma pura análise musical no sentido que a música pop exige. Poucas pessoas encarnam de maneira tão precisa a palavra "performer". De talentosíssimo cantor de R&B, soul e disco, M.J. passou a um performer ovacionado mundo afora, e respeitado por aqueles que entendem que, sob outros parâmentros, a dança não é só aquela feita no teatro municipal. Observador arguto Michael reuniu e sedimentou passos que eram já feitos por outros cantores e performers negros americanos que o antecederam, com no caso de James Brown.
Assim, Jackson criou um sem-números de gestos e passos que se sucederam uns aos outros, criando uma personagem, quase um artétipo que seria imitado nos quatros cantos do planeta, por mais de três décadas, por pessoas de todas as idades. Basta um simple chute para o ar, um grito, um deslizar sobre o chão e a referência está feita, M.J passou de artista admirado para lenda viva, presente, querendo ou não, no imaginário popular mundo afora.



Quando lançou Thriller Michael Jackson contava com cerca de 25 anos. Já tinha uma longa história no show bussness. Além do Album ter se tornado o mais vendido da história, e ainda continua mais de 25 anos após ser lançado, com todas as ferramentas de marketing atuais ninguém chegou perto de bater sua marca, ele pontuou o início do entertainer no mundo audiovisual. Já em OFF THE WALL, M.J. se utiliza do video como forma de divulgação não apenas como veículo, mas como fim.




Porém foi em Thriller onde M.J. se reinventou ao lado de diretors e video-makers que criaram clipes que marcaram mais um terreno onde M.J. lançou sua arte. A partir daí todos os clipes eram aguardados com ansiedade e, pelo menos ate o album History, Michael se reinventava clipe após clipe, ora em novidades tecnológicas ora em efeitos e coreografias alucinantes.





Muitos aspectos outros podem ser ressaltados a fim de demonstrar como embora num meio, o da indústria do disco, cuja liberdade criativa e a própria estrutura de produção e comercialização seja regressiva, fazendo do ouvinte um cativo, de sua insconciência e da falta de liberdade de escolha, Michael é paradoxalmente o mais bem sucessido, mais criativo, e por certo um dos mais talentosos desta industria que ele ajudou a eregir, por sua liberdade criativa e inventidade.

Seus shows viraram não um concerto musical, mas um espetáculo de múltiplas facetas, onde a música é o carro-chefe e conduz os mais variados elementos artísticos. Isso fica claro em This is it: Michael traz para o palco uma concepção muito comum nos musicais da Broadway, bebendo em diversas referências da própria cultura de massa americana, ora cinematográfica, ora teatral




Michael Jackson é entrenimento, sem as pretensões metafísicas e tão consequentes da arte "séria", entretenimento da mais alta qualidade, que não subestima seu "consumidor", que ao contrário encontra nele refúgio para se reinventar. Uma crítica a indústria cultural não pode se fazer sem suas exceções, e Jackson é certamente uma delas.

A partir de Michael, um sem-número de imitações de boy-band a cantora-dançarina pop foram se sucedendo, num festival de mediocridades que apelavam e apelam para "sensualidade" e todos os elementos possíveis de alcance imediato, sem jamais, até onde sei, conseguir encontrar a qualidade, a fantasia, a mágica e principalmente a singularidade de M.J. , não o melhor cantor, o melhor dançarino, o melhor arranjador, o melhor coreografo, mas o melhor Michael Joseph Jackson que mundo jamais poderá inventar.

Monday, October 26, 2009

Piauí



Há alguns meses entrei num vício novo. Vício é diferente de hábito. Já lia a revista habitualmente. É parece meio bobo e metido, não sei exatamente qual o status da revista em geral, se fosse a New Yorker (cujo o modelo a Piauí segue) certamente soaria pedante, mas muita gente não a conhece . Acompanho a revista desde a origem, mas não costumava a ler a revista toda, no começo cheguei mesmo a não embarcar muito na onda publicação.


De uns tempos para cá eu tenho devorado a revista. É uma diversão pura, leio de cabo a rabo, com um prazer só encontrado em Calvino, Autran Dourado e afins, e como acaba rápido fico triste e canso na web algo antigo que deixei escapar outras vezes.


De primeira meu fetiche era seção Diário. Do guarda-vida maranhense que conta seu cotidiano nas praias cariocas ao balconista no mercado zona sul que mora na Vila Cruzeiro, passando pela jovem atriz Martha Nowill que estuda por 1 mês no inverno russo tentando entender mais sua arte. Já li reli diversos desses relatos cujo prazer reside no prosáico, no olhar absolutamente pessoal das filigranas do cotidiano, ainda que de início tudo pareça exótico.


Outro dia tava percebendo esse vício ao notar que contei sobre a revista, deste número atual, para um sem-números de pessoas, da manicure ao porteiro do prédio, eu contava a história da depiladora que subiu na vida, podando a alta elite das virilhas cariocas, a fantástica história do francês que se passou por dezenas de pessoas em mais de 15 países, o dossiê sobre o tucano Serra que está formidável, mesmo para aqueles que o veem como politicamente oposto.


As matérias são longas e tendem a parecerem cansativas a primeira vista, mas a construção não-linear, olhar cuidadoso e detalhista, a abordagem literária, com um texto brurilado, são exatamente a contra-mão dos manuais de jornais pseudo-objetivos, que travestem a incompetência dos bancos escolares de comunicação.

Thursday, September 24, 2009

Ciro Gomes: o analista

A entrevista de Ciro Gomes na Band no domingo, cercado pelos jornalista reaças da emissora foi ótima. Gomes tem uma leitura muito precisa da realidade política, e mesmo tendo interesses políticos que o obrigam a ser comedido, não se furtou ao embate direto com os debatedores. Muitos tem, por diversas razões, ressalvas quanto ao Ciro candidato. Minha é sua relação com Tarso Gereissati, cacique do PSDB e da ala mais a direita do partido.
Roda de entrevistadores é reacionária até a medúla, Boris Casoy é conservador até a célula, mas foi descascado pelo Ciro, seja pela sua total falta de informação, ora estatística, ora política em querer atacar Lula de todas as formas.
Além de enaltecer a virtude política de Lula, Ciro mostrou com dados como a escolha econômica do presidente foi acertada mesmo quando teve que enfrentar o seu próprio partido. Embora do PSB, marcou posição clara em defesa do unilateralismo da imprensa brasileira em seu ataque contra o PT e o presidente.
Outra fala clara, foi dizer em alto e bom que a parte da elite e imprensa brasileira é golpista e planejou sim um golpe, direta ou indiretamente, no dito caso mensalão.
Como todo mundo que tem um mínimo de espírito crítico sabe a imprensa brasileira além de reaça, é ruim, mal informada e vive de futrica e escandalos midiáticos. Ciro criticou abertamente a imprensa que apenas cobre de maneira maniqueísta as questões concernentes ao congresso, um dado que ele trouxe e do qual eu não tinha conhecimento, e a imprensa fez questão de omitir, é que 50% dos congressistas, embora tivesse o direito legal (não ético) não utilizaram as passagens que geraram um dos mais recentes escândalos do Congresso. Ou seja, metade dos parlamentares foi colocada no caldeirão onde a outra parte usufruiu. Evidente que a crítica esta a postura da imprensa de construir uma imagem ainda pior do que a do Congresso próprio já fez, e inviabilizar o debate político sério, desconstituindo o próprio sentido da política que passa a ser apenas o jogo sujo de corrupção, gerando campanhas de origem, evidentemente, na classe média-alta cujo o slogan é 'não vote em ninguém, vote nulo', achando que essa é a atitude política correta.
Achei perfeita a análise de Ciro sobre Chavez, a quem babando o Boris Casoy chama de ditador. Gomes foi preciso ao dizer que Chavez é alguém de vocação autoritária mas que se move dentro dos limites da democracia
Ciro deixou os jornalistas-chefões da Band nervosos ora por expor a total falta de informação, factual, estatística, histórica, dos mesmos, ora por colocar Lula no seu devido lugar, de um dos maiores líderes da história do Brasil, e o primeiro e único caso de operário que vira presidente e dar certo, mesmo com toda a mídia majoritária atacando, por vezes irresponsavelmente.

Saturday, August 22, 2009

Essa tal governabilidade ..

Essa tal governabilidade sempre põe o Lula em apuros... o sistema político brasileiro obriga a quem lidera o executivo a uma habilidade política incomum.. é preciso compreender minimamente a complexidade do jogo político para entender essa postura do PT em ´defesa´ de Sarney e seu bando. É duro de engolir, mas não se trata de um simples toma lá cá.
Como até as pedras já sabem, para governar minimamente o PT precisa do PMDB, este por sua vez sem um projeto político minimamente coeso, caminha para o lado que vento sopra... isso ficou claro na fala de um dos seus líderes que disse que se PT não apoiasse Sarney no conselho de ética, eles -PMDBistas- seriam obrigados a apoiar a oposição no caso Lina X Dilma. Pouco importa a incorência do pseudo-caso ´Lina e o encontro´ se comparado com as denúnicias fortemente documentadas contra os Sarney, o PMDB sabe que sem ele o governo fica de mãos atadas tanto dentro quanto fora do Congresso.
Mais de um ano antes da eleição, a possível candidata do PT vem sendo esquematicamente bombardeada pela mídia marrom e pela oposição desocupada, e tendo Dilma como refém, Lula se viu obrigado a pagar o resgate, já que a justiça e clareza não são o forte na opinião publica(da) brasileira.
Boa parte dos brasileiros que acompanham o noticiário político tem um dificuldade de entender que o presidente não é um imperador e que mesmo programas transformadores como PAC , Pro-Uni, Bolsa-Familia entre outros são resultados de processo político cujo jogo de interesses está sempre em conflito... política não é a simples imposição da sua vontade, por mais coerente e embasada que ela seja, basta olhar para o seu condomínio.
A genialidade política de Lula consiste em compreender as nuances do processo e conseguir enxergar em perspectiva, coisa que boa parte de classe ´ilustrada´ brasileira que considera o presidente no máximo de inteligência mediana, não entende, ou não quer entender, seja conveniência, seja por burrice mesmo. O mérito de Lula, que o faz um líder de estatura mundial, é conseguir impetrar transformações significativas (falta a Saúde presidente, urgente), fazer um barco gigante navegar adiante, com suas âncoras ainda presas a modelos e estruturas coloniais.

Tuesday, August 18, 2009

Vila Sésamo



Não é a toa que alienação política toma conta de boa parte da juventude, quando não é um fetiche travestido de atitude política, cujo o único fim é tentar salvar a total falta de significado das próprias vidas, o interesse político juvenil ou geral esbarra numa panacéia destas que estamos vendo. Não bastasse o mundo midiatico e a oposição ter descoberto a roda, ou seja o Sarney e seu império, pior do que isso é esse jogo safado, não tem outra palavra, para forjar um causo político onde não há nada que disse-me-disse, uma mulher que disse que interpretou uma coisa que a outra disse, mas não lembra o dia e a hora, apenas o vestido da outra que disse não ter dito nada, nem mesmo viu a aquela que disse que a encontrou, viu e ouviu... principalmente viu.. o chale... muito bonito... essa é a política brasileira, nobre.. a imprensa séria e idônea... e tem gente que fala mal da Bolívia.